Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Transportes públicos: alguém fez as contas?


in Expresso20 de fevereiro de 2012, por João Silvestre 


Álvaro Santos Pereira é economista e certamente conhece bem o conceito de maximização da receita. Não basta subir os preços para ter mais dinheiro em caixa. Se os preços sobem muito, os consumidores fogem e a empresa pode até ganhar menos. Tudo depende da reação da procura ao novo preço e esta varia em função de diversos fatores, como o rendimento das famílias ou a concorrência.
Em economês, a 'sensibilidade' dos consumidores aos preços é conhecida como elasticidade e mede a variação percentual da quantidade procurada face a uma variação de 1% do respetivo preço. Quando uma empresa qualquer, pública ou privada, decide mexer nos preços tem que ter em conta esta questão. Se a elasticidade é igual a 1 significa que a procura varia exatamente na mesma proporção do preço. Nesse caso, a receita não se altera. Por exemplo, vender um pão a 100 euros ou dois a 50 euros cada um proporcionam exatamente o mesmo encaixe. Mas, se a elasticidade é superior a 1, uma subida dos preços traduz numa quebra proporcionalmente maior das vendas o que, na prática, origina uma quebra na receita.   
Vem esta questão a propósito da subida dos preços dos transportes públicos (15% em média em Agosto e mais 5% já este ano) e da quebra de passageiros no último ano. Segundo os dados compilados pelo Expresso na edição do último sábado, as principais oito empresas de transportes públicos perderam 23 milhões de viagens num ano. Só a CP perdeu 11 milhões, seguida Carris (7,5 milhões), do Metro de Lisboa (2 milhões) e Transportes Coletivos do Porto (1,5 milhões) e Transtejo (1,1 milhões). Das oito empresas, apenas duas (Metro do Porto e Metro Sul do Tejo) não tiveram quebras de procura.
Saltando destes números para o último relatório trimestral do sector empresarial do Estado, publicado sexta-feira passada pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças, temos o reverso da medalha. Algumas destas empresas tiveram pior desempenho na segunda metade do ano passado, uma fase em que já contaram com maiores tarifas de transporte, do que no primeiro semestre. CP e Metro de Lisboa são dois casos flagrantes mas até o Metro do Porto, que teve mais passageiros, viu os resultados operacionais piorarem.  
Estes dados levantam uma questão preocupante: será que alguém fez as contas para perceber se o aumento das tarifas se traduzirá mesmo num acréscimo de receita? Com os números disponíveis não é possível determinar com precisão este efeito mas parece haver alguns indícios de que a estratégia de aumentar preços, ainda mais em tempo de crise, é arriscada.
A escolha do transporte é individual. Depende das alternativas disponíveis e dos seus custos relativos para os passageiros. Se os transportes públicos se tornam demasiado caros, é natural que muitas pessoas optem pelo carro (em grupo ou isoladas), que passem a andar a pé em alguns trajetos mais curtos ou que deixem mesmo de se deslocar com tanta frequência (os reformados, por exemplo). A isto junta-se o desemprego que faz com milhares de portugueses não necessitem de se deslocar diariamente.  
A análise superficial destas questões pode criar dois problemas. O primeiro é andar a aumentar tarifas sem resultado, agravando as contas das empresas e penalizando a situação financeira das famílias. Em teoria, até pode ser mais rentável baixar preços, compensando as empresas com outras fontes de financiamento.
O segundo problema é ter uma política de transportes disfuncional, com incentivos errados. Esta situação é particularmente relevante nas grandes cidades onde há grandes movimentações diárias de pessoas e onde 'pequenos ajustamentos' se podem traduzir em alterações substanciais nos comportamentos.
Como já por diversas vezes sublinhou o presidente da Câmara de Lisboa, a política de transportes deve ser estudada de forma integrada e devem ser analisadas diferentes formas possíveis de financiamentos destas empresas, que inclusive já existem em outras cidades, como é o caso da introdução de portagens à entrada das cidades ou a utilização das receitas do estacionamento.  
Ninguém tem dúvidas que as empresas públicas de transportes têm problemas sérios. A começar na dívida, que foi acumulada ao longo de anos e que tem que ser resolvida. Além disso, é imperativo garantir que as operações são rentáveis e, com a duplicação de serviços que existem em muitos casos, isso é quase impossível sem re-estruturar as empresas. O plano estratégico dos transportes dá algumas pistas nesse sentido, como fusões e melhor articulação entre serviços, mas, para já, nada ainda foi concretizado.
Uma política de transportes é mais do que simplesmente subir ou descer tarifas. O objetivo do governo é garantir que as empresas deixam de ter défices de exploração no final deste ano. É uma meta importante. Mas a elasticidade e a crise não se controlam por decreto e nem sempre as coisas correm como se pretende.   

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Participação da Comboios XXI no Biosfera


Caras co-passageiras e caros co-passageiros, a Comboios XXI participou na reportagem sobre transporte ferroviário de passageiros no último Biosfera, transmitido em 08.02.2012.
O foco vai para as linhas do Vouga, Minho e Oeste, e ainda os Urbanos do Porto.

 Aqui fica a ligação para a reportagem completa, que ainda inclui contributos muito importantes de Carlos Cipriano e Nelson Oliveira relativos à Linha do Oeste:

http://www.rtp.pt/play/?tvprog=24778&idpod=71783

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Comboios XXI no Biosfera


Caros amigos, sócios e passageiros amanhã a Comboios XXI vai estar no programa Biosfera da RTP2 pelas 19 horas. 

Vamos falar dos Urbanos de Lisboa e do Porto, que fazem parte do quotidiano de tantas centenas de milhares de pessoas e também de casos vergonhosos de desperdício de potencial, como são a Linha do Oeste, do Vouga e do Minho.

Não deixem de assistir e demonstrar que existe muita gente que acredita no futuro da ferrovia em Portugal.

Até amanhã.

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Aumentos de preços só vão piorar o desempenho das empresas – a solução está na conquista de utentes com serviços melhores e mais económicos



Comunicado de Imprensa da Comboios XXI- Associação de Utentes dos Comboios de Portugal

As subidas de preços que irão ocorrer novamente esta semana têm como objectivo declarado melhorar o desempenho económico das empresas ferroviárias em Portugal mas terão rigorosamente o efeito contrário, piorando ainda mais a situação devido às previsíveis quebras de utentes atribuíveis ao elevado custo dos passes e dos bilhetes, que é agravado pela crise económica do país. 

A Associação de Utentes dos Comboios de Portugal acredita que na verdade é precisamente porque estamos em crise que deve ser reconhecido o papel estratégico que têm o transporte público em geral e a ferrovia em particular, na capacidade que têm de conservar alguma poupança por parte dos cidadãos sem prejuízo para a sua mobilidade no quotidiano.

Sabemos também que com esta subida de preços é perdida uma oportunidade única de reverter a deterioração destas empresas, que acumulou 40% de perdas de utentes nos últimos 20 anos, em completo contra-ciclo com o resto da Europa, uma vez que a existência de alternativas económicas e convenientes ao automóvel traria muitos novos utilizadores ao transporte colectivo, ajudando também a cumprir metas ambientais para além de económicas.

A subida de preços e o corte na oferta de ligações e linhas tem também um peso negligenciável na eliminação dos verdadeiros problemas destas empresas, que são um historial de má gestão e uma dívida gerada por políticas de desinvestimento que levam a que dos 195 milhões de euros em prejuízos anuais da CP, 160 milhões são relativos a juros, para receitas de 70 milhões.


Ou seja, se a CP aumentasse o número de utentes em 50% com os preços anteriores aos aumentos a empresa cobriria todos os seus custos de manutenção mas o problema do endividamento ficaria exactamente igual.

A única estratégia verosímil passa por uma solução política para o problema da dívida e pela conquista de utentes aproveitando as vantagens inerentes a este meio de transporte, associado a uma política de preços realista e ambiciosa, acompanhada de uma melhoria contínua do serviço prestado.

Para contribuir para atingir este objectivo, a Associação de Utentes dos Comboios de Portugal tem as seguintes propostas a apresentar, no que diz respeito à política comercial da CP:

- Congelamento dos preços e descontos dos passes, colocando-os nos valores de início de 2011 de forma a que se tornem mais atractivos para viajantes quotidianos e os fidelizem

- Criação em toda a rede de um novo bilhete-família a aplicar a pequenos grupos até 5 pessoas e com descontos cumulativos a partir de 20% e até 50% no total

- Aumentar e abranger os actuais descontos multi-viagens (“paga 10 ganha 1”) em todos os serviços, passando o desconto mínimo de 10 para 20% (“paga 5 ganha 1”)

- Campanhas promocionais de ofertas de viagens e passes em passatempos e prémios, de forma a trazer mais pessoas para experimentarem os serviços em vários horários

- Perseguir mais protocolos com escolas, empresas e unidades hoteleiras e agências de viagens de forma a que tenham acesso a passes especiais e pontuais com descontos maiores

- Fazer com que as ajudas de custo relativas a transportes para detentores de cargos públicos seja restringida a transporte público como o ferroviário, tal como sucede com os quadros das empresas de transportes

- Criação de bilhetes “Last-minute” e “Off-peak” para percursos de maiores dimensão, com preços especiais

- Melhorar o serviço prestado com pequenas intervenções baseadas no conforto, como criação de serviços expresso intercalados com serviço regular e introdução de internet wireless e de tomadas eléctricas nas carruagens.

Estamos certos que estas pequenas alterações irão ter no nosso país o mesmo impacto positivo que tiveram em todos os outros casos em que foram aplicadas, acabando com a noção de que são os custos de operação que são um entrave à saúde das empresas e promovendo finalmente uma política responsável de aposta neste meio de transporte seguro, económico, eficiente, ecológico e, finalmente, conveniente.

A direcção da Associação dos Utentes dos Comboios de Portugal – Comboios XXI
Braga, 31 de Janeiro de 2012

Greve de 2 de Fevereiro - Serviços Mínimos

Caros co-passageiros, amanhã ocorre nova greve nos transportes, aqui ficam os serviços mínimos para amanhã:

AVISO OFICIAL DA CP