Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

Governo prepara desmembramento da CP que ficará reduzida ao longo curso

in Público, 17.12.2010, por Carlos Cipriano

Transportadora vai acabar com o serviço regional

A CP prepara-se para eliminar 450 quilómetros do serviço regional - o mais deficitário da empresa e onde já foram abatidos 144 quilómetros de linhas -, tornando-o residual em termos da sua área de operação.

A CP Carga já é hoje uma empresa autonomizada, que espera 33 milhões de prejuízos no fim do ano e que está na lista das privatizáveis no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), e as CP Lisboa e CP Porto vão ser concessionadas (ver caixa). Ou seja, o desmembramento da CP é agora uma matéria assumida pelo Governo pois, seguindo à risca as intenções do executivo, dentro de um ano dela não restará mais do que a unidade de longo curso e uns restos do serviço regional.

Este último irá acabar em 2011 nos troços Torre das Vargens-Beirã (65 km), Abrantes-Elvas (129), Beja-Funcheira (62), Ermesinde-Leça (11), Setil-Coruche (32), Pinhal Novo-Beja (138) e Casa Branca-Évora (16). Mas a estes há que somar os 144 quilómetros de linhas que já foram encerradas no primeiro mandato deste Governo, o que significa um total de 597 quilómetros sem regionais.

Desde Janeiro de 2009, os comboios deixaram de apitar entre a Figueira da Foz e Pampilhosa (51 quilómetros) e nas linhas do Tua (54), do Tâmega (13) e do Corgo (26).

A falta de segurança nessas linhas foi a razão invocada, tendo-se seguido promessas imediatas de reabilitação dessas vias, mas a única coisa que se fez foi retirar os carris e as travessas em algumas delas. A política de contenção do investimento público ditou, entretanto, que os trabalhos de modernização fossem adiados, faltando agora apenas formalizar o seu encerramento através de um processo de "desclassificação".

Ontem, o ministro das Obras Públicas, António Mendonça, anunciou que "a actual conjuntura, pelas pressões que coloca, designadamente no plano financeiro, obriga a acelerar algumas das coisas que vinham a ser preparadas" no que diz respeito à desclassificação de linhas férreas que não tenham procura.

Além das linhas onde o serviço regional será simplesmente suprimido, prevêem-se reduções do número de comboios nas linhas do Algarve, do Douro, do Oeste e do Minho.

Em 2009, o serviço regional da CP deu prejuízos de 56,6 milhões de euros, sobretudo nas linhas do interior, onde, muitas vezes, as automotoras circulam com menos de dez passageiros. O PÚBLICO apurou que, por exemplo, no ramal de Cáceres, entre Marvão e Torre das Vargens, cada passageiro transportado custou à CP 68 euros, sendo nesse troço a taxa de cobertura das despesas pelas receitas inferior a seis por cento.

Mesmo alguns dos eixos ferroviários mais representativos do país, como as linhas do Oeste, do Sul, da Beira e da Beira Alta, têm taxas de cobertura inferiores a 20 por cento, situando-se todo o serviço abaixo dos 50 por cento, com a excepção dos "tomarenses", expressão por que é conhecido o serviço entre Tomar e Lisboa e que serve também Entroncamento, Azambuja e Vila Franca de Xira, cujas receitas quase pagam as despesas.

Mas a fraca procura do serviço regional é também vítima da maneira como a própria CP está organizada, com as unidades de negócios a operaram de costas voltadas ao nível da oferta e do tarifário. Uma viagem do Bombarral para Espinho implica que um passageiro tenha de apanhar cinco comboios, do Rossio para Leiria e do Pinhão para Viana do Castelo quatro comboios.

O tarifário é também desencorajador da procura porque resulta do somatório dos vários comboios que o passageiro apanhar numa só viagem. De Santarém a Mangualde, paga 13 euros num Intercidades. Mas das Caldas da Rainha para Mangualde, que tem uma distância maior, um cliente da CP paga 16 euros e tem de apanhar três composições (um regional, um suburbano e um Intercidades).

Com tarifas e horários desencontrados não surpreende, assim, que o serviço regional tenha pouca procura.

O PÚBLICO perguntou à CP qual a percentagem de passageiros do regional que precediam ou seguiam viagem no longo curso, mas a empresa respondeu que não dispunha dessa informação

2011: Alteração aos preços

Avisos CP
Alteração aos preços em vigor a partir de 1 de Janeiro de 2011

Nos termos do nº.2 do art. 6º do DL nº8/93, de 11 de Janeiro, a CP informa que a partir de 1 de Janeiro de 2011 serão praticados novos preços nos serviços Urbanos.

Consulte os preços em vigor a partir de 1 Janeiro de 2011:

Comboios Urbanos de Lisboa

Comboios Urbanos do Porto

Comboios Urbanos de Coimbra

Estamos à sua disposição para qualquer esclarecimento ou sugestão através do e-mail ou do Call Center: 808 208 208.
Agradecemos a sua preferência,
CP.pt, em linha consigo.

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

CP vai deixar de assegurar alternativas em dias de greve

in JN, 17-12-2010

A CP apresentou um orçamento para 2011 com cortes radicais no pessoal e nas linhas menos rentáveis, inclusive deixando de providenciar transporte rodoviário em dias de greve. Mas o problema da dívida piora com novos empréstimos para pagamento dos juros.

Nem a subida do preço dos bilhetes - cerca de 5% em todos os serviços urbanos e 4,5% nos serviços Alfa e Intercidades -, nem a diversificação dos produtos que passarão a ser vendidos em regime de prestação de vendas a terceiros mediante comissão (adesão ao payshop, venda de bilhetes para espectáculos, eventos, livros, guias turísticos, entre outros) serão suficientes para aumentar as receitas da CP, em 2011.

Os cortes previstos no Plano de Actividades Orçamentais 2011 da CP, a que o JN teve acesso, são consideráveis. Ao todo, a empresa de transportes ferroviários nacional vai congelar as admissões e gastar 26 milhões de euros para rescindir contratos com 815 trabalhadores: 239 trabalhadores na CP (3 no Porto, 14 em Lisboa, 18 no longo curso, 58 no regional, 25 na frota, 87 nos serviços e 34 no centro corporativo); 468 na EMEF; 3 na Ecosaúde; 32 na Fernave; e 13 na Fergráfica. O objectivo é "racionalizar os Recursos Humanos directos e corporativos", de forma a "alcançar, tão breve quanto possível, o equilíbrio económico-financeiro da actividade".

Na verdade, segundo o mesmo documento, a dívida da empresa ascenderá, em 31 de Dezembro deste ano, a 3,3 mil milhões de euros. Mas, daí a um ano, mesmo com os cortes que o plano propõe, a mesma dívida será ainda superior: 3,5 mil milhões de euros. "Embora a actividade normal liberte cerca de cinco milhões de euros, as necessidades de financiamento são bem superiores, em particular os juros da dívida", lê-se. Assim, durante o ano de 2011, serão necessários novos empréstimos no valor de 633 milhões de euros, dos quais a maioria é para amortizar dívida. A CP planeia financiar-se junto do Tesouro ou pedir autorização para emitir obrigações públicas.

Com excepção de "imperativo legal", a CP deixará de providenciar transporte rodoviário em dias de greve e vai, também, cancelá-lo nalguns trajectos onde já houve serviço ferroviário, como no Tua, Corgo e Tâmega, na Lousã, em Coimbra-Figueira da Foz (por Cantanhede) e entre a Covilhã e a Guarda. Haverá cortes em circulações e linhas que deixam de ter exploração (ver infografia), numa tentativa de "adequar a oferta à procura" e aumentar a ocupação média das composições.

A empresa vai, ainda, diminuir custos ou eliminá-los completamente nas rubricas de limpeza, quer nos comboios, quer nas instalações, e de combate ao vandalismo, nomeadamente em vigilância e segurança.

Na CP Porto, a empresa prevê, no próximo ano, um aumento do número de passageiros transportados, apesar de os quilómetros diminuírem ligeiramente. Já em Lisboa, a procura deverá crescer 0,7%, principalmente nas linhas Sintra/Azambuja e Cascais, em "consequência do incentivo à validação do título de transporte". Em 2011, a luta à fraude promete ser reforçada pela CP.

Estas medidas foram apresentadas no âmbito de um plano de redução de custos que, a par da CP, todas as empresas do Sector Empresarial do Estado (SEE) apresentaram ao Governo.
Com estes planos, o Governo pretende reduzir, em termos globais, 15% nos custos operacionais das empresas do SEE, o que poderá representar uma poupança anual de 1,6 mil milhões euros.

Orçamento 2011 da CP

in Publico, 17-12-2010



CP prevê gastar 26 milhões para rescindir contrato com 815 trabalhadores em 2011

A CP prevê gastar 26 milhões de euros para rescindir contrato com 815 trabalhadores em 2011, de acordo com o plano de actividade e orçamento da transportadora, o que dá uma média de 58,5 mil euros por pessoa.


De acordo com o documento, disponível na página do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF) e entregue ao Governo a 30 de Novembro, a transportadora pretende rescindir 239 contratos de trabalhadores da CP, 468 na Empresa de Manutenção e Equipamento Ferroviário (EMEF) e 60 na CP Carga.

Na CP Lisboa, a transportadora pretende rescindir contrato com 14 trabalhadores, na CP Porto com três trabalhadores, na CP longo curso com 18 e na CP Regional com 58.

Na CP frota, as rescisões deverão abranger 25 trabalhadores, na CP serviços 87 e no centro corporativo 34.

Entre as suas participadas, a CP prevê rescindir contratos com três trabalhadores da Ecosaúde, com 32 da Fernave e com 13 da Fergráfica.

“O quadro de efectivos de 2011 será ajustado aos níveis de actividade, (...) no pressuposto de que será possível fazer rescisões por mútuo acordo no quadro da declaração do sector em situação económica difícil, de modo a permitir o acesso da generalidade dos trabalhadores dispensados ao subsídio de desemprego ou, se necessário, recorrer à extinção dos postos de trabalho com recurso aos mecanismos legais”, lê-se no plano de actividade e orçamento.

Segundo o documento, a CP faz “uma estimativa para custos com rescisões cujo quantitativo aponta para 26 milhões de euros”.

A empresa prevê gastar mais de metade do bolo previsto (14 milhões de euros) em rescisões dentro da própria empresa, onde deverão ser dispensados 239 trabalhadores.

É dentro da transportadora que a média do valor de rescisão a pagar também se revela mais elevado, que se ficará por cerca de 58,5 mil euros por cada trabalhador, segundo cálculos feitos pela agência Lusa.

A EMEF é de onde deverá sair mais de metade dos trabalhadores, prevendo a CP a rescisão com 468 trabalhadores e gastando cerca de nove milhões de euros, uma média de 19,2 mil euros por trabalhador.

Na CP Carga deverão sair 60 trabalhadores, gastando a empresa cerca de 2,3 milhões de euros com estas rescisões, dando a segunda média mais elevada de valor pago em rescisões por trabalhador, nos 38,3 mil euros.

Na Ecosaúde está prevista a rescisão com três trabalhadores (contando a CP gastar 60 mil euros no total), na Fernave com 32 trabalhadores (480 mil euros em rescisões), e com 13 trabalhadores na Fergráfica (160 mil euros).

De acordo com o plano de actividade e orçamento, “em 2009, o valor pago com rescisões foi de 7,1 milhões de euros. Estima-se que para 2010 o valor das rescisões seja de 4,8 milhões de euros”.

Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

Deputados do PSD viajaram de comboio na linha do Oeste para que a sua modernização seja uma prioridade política


A modernização da Linha do Oeste deve passar a ser uma prioridade política, defendeu o líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, que viajou de comboio entre Lisboa e Caldas, juntamente com outros deputados do seu partido, na manhã da passada segunda-feira.

O politico considera que se forem feitas as alterações que tornem este meio de transporte atractivo a nível de tempo, custo e conforto, o comboio poderá ser uma alternativa real ao carro, como acontece noutras zonas do pais.

Gazeta das Caldas / Carlos Cipriano - Fátima Ferreira
8:00 Sexta feira, 17 de Dezembro de 2010

Com a chegada às Caldas prevista para as 09h39, o comboio chegou cinco minutos depois. Entre as três dezenas de passageiros que saíram na estação estavam seis deputados do PSD na Assembleia da República, que tinham entrado no Rossio às 7h01.

A viagem que a CP proporciona desde a baixa lisboeta até às Caldas obriga a dois transbordos, o que significa que se tem de apanhar três composições.

"Duas horas e meia para fazer uma viagem destas é demais", dizia o líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, que andou pela primeira vez na Linha do Oeste.

"É preciso fazer a modernização desta linha, tivemos que fazer duas mudanças de comboio e, de facto, não é uma alternativa ao transporte rodoviário", admitiu o responsável aos jornalistas à saída da estação caldense.

À sua espera estavam também os deputados à Assembleia da República, Maria da Conceição Pereira, Paulo Santos, Pedro Marques e Pedro Moreira, assim como o presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa.

Miguel Macedo garantiu que o PSD irá chamar a atenção para que esta situação passe a ser prioridade de agenda política. Considera que são necessárias explicações para este adiamento sucessivo da intervenção a fazer, sobretudo quando "aparentemente o governo está muito lesto em fazer obras do TGV". O líder do grupo parlamentar social-democrata disse mesmo que este é um país a duas velocidades - "a dos investimentos megalómanos do TGV, sobre os quais há muitas dúvidas se são ou não rentáveis, e esta situação que pudemos constatar".

Em relação ao facto de terem chumbado as propostas do PCP para incluir verbas destinadas à requalificação da linha no Orçamento do Estado, o deputado justificou que tinham um acordo político com o PS para viabilizar o documento, tendo em conta a situação de emergência que o país vive.

"É preciso encontrar força política, orçamento e dinheiro para fazer o que é preciso", disse agora Miguel Macedo, reconhecendo que, da forma como está, a linha não é viável. "Se forem feitas as alterações que tornem este meio de transporte atractivo do ponto de vista do tempo, do custo e conforto, não tenho dúvidas que passa a ser uma alternativa real ao carro, como acontece noutras zonas", referiu.

O mesmo responsável chamou ainda a atenção para o facto dos estudos, que já foram feitos há bastante tempo, já deverem estar desactualizados.

Na comitiva vinha o deputado torriense Duarte Pacheco que desde há dois anos não utilizava este transporte. "Fiz muitas vezes o percurso de comboio para estudar e depois para trabalhar, mas nunca foi uma coisa que apaixonasse o utente", disse, referindo-se ao tempo que demora a viagem. "Custa a acreditar que quando estamos na Malveira, e a 10 minutos da Calçada de Carriche, de repente vira-se para Sintra e passa a ser uma viagem turística...", adiantou, referindo-se ao traçado sinuoso da linha do Oeste, que data do séc. XIX, e dá uma volta pelo Cacém antes de chegar a Lisboa.

Duarte Pacheco lembrou ainda que o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do governo de Cavaco Silva, Ferreira do Amaral, tinha um projecto para esta linha que previa um corredor a sair da Malveira e directo a Loures.

"Agora não é alternativa ao transporte rodoviário, mas poderia ser", admite o deputado social-democrata.

No Rossio não se vendem bilhetes para as Caldas da Rainha

Se o leitor for à estação do Rossio comprar um bilhete para as Caldas da Rainha, ouvirá, surpreso, que ali só lhe podem vender um bilhete para o Cacém ou para Meleças, devendo depois nessas estações comprar o bilhete para o resto da viagem.

Esta aberração escapou aos políticos que na terça-feira viajaram do Rossio para as Caldas porque os deputados não pagam bilhete (basta-lhes mostrar o cartão para viajarem à borla). Senão, os sociais-democratas teriam sido confrontados com mais esta peculiaridade da CP que insiste em maltratar os seus clientes.

Na época da globalização, em que as empresas, as pessoas e os mais variados organismos trabalham em rede, tirando partido das novas tecnologias, a CP faz exactamente o contrário e divide a sua actividade em "compartimentos estanques" que trabalham de costas voltadas entre si e de costas voltadas para o cliente.

O aventureiro que queira ir de comboio do Rossio para as Caldas viaja na CP Lisboa até Meleças (em dois comboios, com mudança no Cacém) e na CP Regional no resto do percurso. Por isso, é obrigado a comprar dois bilhetes.

Mas durante 140 anos, quando nas estações se trabalhava com candeeiros a petróleo e os bilhetes eram de cartão, podia-se naturalmente comprar um bilhete de qualquer origem para qualquer destino. Na época dos computadores, na CP tal não é possível.

O ex-presidente da empresa, Cardoso dos Reis, chegou a afiançar à Gazeta das Caldas que o Rossio teria bilheteiras universais (com venda para toda a rede), mas tal não aconteceu. O actual presidente, José Benoliel, deverá certamente ignorar o assunto, mas considera as unidades de negócio uma "forma avançada de gestão".


Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

Comboios param na noite de Natal



Para os mais distraídos, convém lembrar que os comboios urbanos param na noite de Natal, sensivelmente entre as 18:00 horas de Sexta, dia 24, e as 08:00 de Sábado, dia 25.

Informações mais detalhadas aqui.