quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

O labirintico tarifário da CP

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Sacrifícios para todos, mas não para Lisboa

in Povo Famalicense,

É oficial, porque foi dito por António Vitorino, na sua conversa da passada segunda-feira na RTP: a ligação da Rede de Alta Velocidade (RAVE) entre Porto e Lisboa ficará a aguardar melhores dias! Culpa das restrições orçamentais e dos limites ao endividamento externo, disse o comentador e dirigente nacional do PS.
Eu até compreenderia, mal embora, esse adiamento, aparentemente sine-die; acontece é que, segundo as palavras do referido comentador, para a ligação de Lisboa ao Caia (seguindo para Madrid via Badajoz) nenhum obstáculo se levantará; como não se levantará qualquer obstáculo para a terceira travessia do Tejo (TTT).

Por mim, BASTA! Basta de canalizar todos os investimentos de monta para Lisboa! Se temos de apertar o cinto, então é justamente a região de Lisboa, que está muito acima da média nacional em todos os indicadores de bem-estar, que terá de fazer mais sacrifícios, em nome da tão propalada coesão desta manta de retalhos à beira-mar plantada. Repare-se que a ligação sacrificada é, simultaneamente, a mais necessária (pela saturação do canal actualmente existente) e a mais rentável; e que a que vai ser construída só poderá sobreviver com fortes ajudas do erário público, porque o comboio, mesmo de alta velocidade, só é competitivo em distâncias até 500 Km.

Não sei se a ligação de Braga a Vigo também será comprometida; esta, se o for, sê-lo-á provavelmente a título definitivo, porque não vislumbro maneira de a fazer arrancar depois de perdermos o acesso aos fundos comunitários; e do lado da Galiza as obras estão muito adiantadas, podendo bem acontecer que, se do lado de cá se hesitar muito, fique irremediavelmente comprometido o troço de Vigo à fronteira.

Carlos de Sá

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

JN: "TGV sem data para chegar ao aeroporto"

Porto Linha Porto-Vigo usará a actualvia-férrea de Contumil a Ermesinde

in JN, 2010-01-10
por CARLA SOFIA LUZ

Quando os comboios começarem a circular na linha de alta velocidade entre Porto e Vigo em 2015, o aeroporto de Sá Carneiro, no Porto, não fará parte da rota. O TGV circulará pela actual via férrea entre Contumil e Ermesinde. A ligação a Pedras Rubras fica para depois.

Sabe-se que a entrada em operação da linha Porto-Vigo deslizou de 2013 para 2015, mas nem nessa altura o principal aeroporto da região do Noroeste Peninsular terá estação do TGV. O resumo não técnico de avaliação de impacto ambiental do troço da linha de alta velocidade entre Braga e Valença, que se encontra em consulta pública, destaca essa opção. "A implementação do eixo Porto-Vigo foi dividida em duas fases", especifica o documento, sublinhando que apenas "numa segunda fase", ainda sem data, "será executado o novo troço entre Porto (Campanhã), aeroporto de Sá Carneiro e Braga".

O TGV partirá da estação de Campanhã, recentemente remodelada, e partilhará o actual canal ferroviário de Porto - Nine - Braga com outros serviços, nomeadamente os comboios urbanos e suburbanos. A alta velocidade, refere-se no mesmo documento, aproveitará as beneficiações programadas para o troço entre Contumil e Ermesinde e em curso na zona da Trofa. Nesta primeira fase, só vai construir-se de raiz a ligação com 68, 9 quilómetros entre Braga e Valença até à fronteira com a Galiza (Espanha).

De facto, a Refer anunciou, em Janeiro do ano passado, a intenção de duplicar (de duas para quatro vias) a Linha do Minho entre Contumil e Ermesinde por reconhecer que a capacidade actual está praticamente esgotada. O estudo prévio de duplicação dessa infra-estrutura esclareceu que, numa segunda-feira normal, passam 110 composições nesses seis quilómetros de linha, sendo 98 de passageiros (75 cumprem serviços urbano e suburbano) e 12 de mercadorias. A ampliação da linha tem sido reivindicada por milhares de utentes que, nas viagens entre casa/emprego e vice-versa e sobretudo na hora de ponta, viajam em comboios lotados.

Com esta decisão, juntar-se-á o tráfego das composições do TGV (de passageiros e de mercadorias) por tempo indeterminado.

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Trabalhadores da Refer e CP em greve dia 21 (Janeiro)

in Diário Economico, 05/01/10

"Os comboios da Refer vão parar no dia 21. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF) entregou hoje o pré-aviso de greve.

O SNTSF afirma, em comunicado, que o pré-aviso de greve foi entregue hoje à administração da REFER - Rede Ferroviária Nacional e aos ministérios das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e do Trabalho e da Solidariedade Social.

O sindicato refere que o pré-aviso foi entregue depois de ter colocado "aos diversos órgãos da REFER um conjunto de problemas, sem que até ao momento tenha obtido qualquer resposta concreta para os mesmo".

O sindicato reivindica a "atribuição do repouso mínimo de 12 horas aos trabalhadores que laboram em regime de escalas de serviço", bem como a "aplicação efectiva do Acordo de Empresa (AE) no que concerne às entradas ao serviço a seguir à folga ou outras ausências, que nunca poderá ser antes das 06:00".

Das reivindicações do sindicato fazem também parte a "regularização das situações em que os trabalhadores laboram por turnos e são considerados em trabalho normal" e o "pagamento da acumulação de funções de motorista a todos os trabalhadores que, por interesse de serviço, são obrigados a conduzir viaturas da empresa, conforme estipula o AE".

Além da REFER, também os trabalhadores ferroviários da CP deverão paralisar no próximo dia 21, conforme adiantou à Lusa em Dezembro o coordenador do SNTSF, José Manuel Oliveira.

No caso da CP, o sindicato reclama "o cumprimento do Acordo de Empresa no que se refere às avaliações profissionais", disse, na altura, o dirigente sindical."

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

RTP recebe mais do que a ferrovia


por VIRGÍNIA ALVES


Se a RTP recebe 143 milhões de euros de indemnizações compensatórias, o transporte ferroviário público (CP, Metro Lisboa e do Porto e Refer) recebe apenas 118,7 milhões de euros (mais 3,9 milhões de contratualizações de serviço público). Este é apenas um exemplo dos valores ontem publicados em Diário da República.

O valor total das indemnizações compensatórias a pagar pelo Estado ascende este ano a 210 milhões de euros, a que acrescem 247,4 milhões de euros correspondentes às indemnizações a conceder às empresas prestadoras de serviços públicos que celebraram contratos com o Estado, perfazendo assim um total de 457,4 milhões de euros.

Do total das indemnizações a pagar a maior fatia vai para a Comunicação Social cujo montante global ascende a 160 milhões de euros. Sendo que a Agência de Lusa receberá 17 milhões de euros, enquanto que a RTP o valor ultrapassa os 143 milhões de euros.

Nesta lista seguem-se as empresas públicas são os transportes ferroviários (CP, Metro Lisboa e do Porto e Refer) que recebe a maior fatia, 118,7 milhões de euros. Sendo que, o Metro de Lisboa recebe mais do dobro do do Porto (28 milhões e 12,5 milhões respectivamente).

De referir que o sistema intermodal andante (no Metro do Porto, na CP e o Passe Escolar 4-18), ou seja, para sistema para os transportes ferroviários públicos, tem uma verba própria, que ascende a 3,9 milhões de euros.

Os transportes rodoviários (Carris e STCP) recebem no total montante de 74 milhões de euros.

Na lista de empresas a receber indemnizações compensatórias constam também os transportes marítimos e fluviais (Soflusa e Trantejo - 11,7 milhões de euros), bem como a Imprensa nacional Casa da Moeda.

sábado, 12 de Dezembro de 2009

Horarios da Linha do Minho: CP cria mal-entendido

A associação ComboiosXXI vem por este meio esclarecer, que:

* não se confirma, a informação ontem apurada no sítio oficial da CP que iriam ser suprimidos três comboios matinais no sentido (Valença-Porto);
* a ComboiosXXI apenas divulgou o comunicado de ontem, quando esgotou todas as suas fontes de informação inclusivé os meios oficias de apoio ao cliente da CP (site, Callcenter, Gabinete de Apoio ao Cliente de S.Bento): todos apontavam no sentido da informação veiculada (ver anexo).
* de acordo com os novos horários [em vigor a partir de 13 de Dezembro] que apenas foram publicados em papel em algumas estações na noite de ontem [11 de Dezembro], o serviço regional da linha Minho irá manter-se semelhante, verificando-se ligeiros ajustamentos.


A associação está sempre atenta a todos os desenvolvimentos que digam respeito aos interesses dos utentes, e portanto considera inadmissível toda esta ligeireza com que a CP entendeu anunciar os novos horários.

Esta enorme confusão levou-nos - e a muita gente mais - a acreditar na supressão dos três comboios matinais, o que significaria a morte a curto prazo da já muito deficitária linha do Minho. Disso lavramos o nosso vigoroso protesto, junto de todas as entidades que nos pareceram poder intervir na questão.

Rectificando, deixamos agora o nosso veemente desagrado pelo facto de a CP se permitir anunciar novos horários com pouco mais de 24 horas de antecedência, para mais em cima de um fim-de-semana, de forma tão atrapalhada que baralhou até os seus próprios funcionários.

Em razão disso, é natural que na próxima segunda-feira se multipliquem os protestos, antevendo-se que, por exemplo, inúmeros passageiros deixem de tomar lugar no comboio urbano (Braga-Porto) 15254, pelo facto de este passar a circular cinco minutos antes do horário actual.

No rescaldo deste episódio, ressalvamos a disponibilidade mostrada pela CP - na pessoa do presidente da Administração Eng. Cardoso Reis - para doravante cooperar com a ComboiosXXI, nomeadamente ouvindo atempadamente as reivindicações e sugestões com o objectivo de provocar melhorias objectivas nos próximos horários de Verão.

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Viana e Barcelos sem ligações ferroviárias matinais ao Porto

- INFORMAÇÃO DESACTUALIZADA E JÁ REVISTA NO POST SEGUINTE -
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A associação ComboiosXXI vem por este meio divulgar um veemente protesto pelos novos horários da linha regional do Minho, que entrarão em vigor já no próximo Domingo, dia 13 de Dezembro de 2009.

A confirmar-se a informação disponibilizada no sitio oficial da CP, defrontamo-nos com a seguinte situação:

* Serão suprimidos (apenas e só!!...) os três comboios matinais no sentido descendente (Valença-Porto) que mais passageiros transportam: os regionais 3000 (Campanhã) e 3014 (Nine), e o internacional 420 (Campanhã);
* Destes comboios dependem centenas de trabalhadores e estudantes que todos os dias fazem deslocações pendulares entre o Alto Minho e o Grande Porto, onde precisam de chegar entre as 8h30 e as 10h00.
* Deste modo, as populações dos concelhos de Viana do Castelo e de Barcelos são obrigadas a utilizar o único comboio que se mantém e que sai de Viana do Castelo às 05h30 da madrugada!, chegando a Nine ao Porto às 7h40, com um transbordo (de 20 minutos!) para o urbano de Braga.
* O comboio seguinte sai de Viana apenas às 09h13 com chegada ao Porto às 11h40, e é o mesmo comboio que transportará os passageiros que saiam de Valença no primeiro comboio da manhã (06h22). Ou seja: Valença-Porto far-se-á em 5h18 minutos!!!, com dois transbordos (duas horas de espera em Viana e mais vinte minutos em Nine).

Estamos perante mais um rude golpe no já deficientíssimo serviço daquela linha, prenunciando a morte a curto prazo da Linha do Minho.

A CP presta um serviço público e portanto não pode ser orientada por meros indicadores económicos internos.

A associação ComboiosXXI solicita da CP e da Secretaria de Estado dos Transportes uma explicação imediata e a consequente reparação desta gravosa situação. Incita, também, todos os utentes destes concelhos a manifestarem energicamente a sua discordância perante medida disparatada, protestando junto de toda os agentes envolvidos:

* Presidente da CP: webmaster@cp.pt
* Secretário de Estado dos Transportes: gset@moptc.gov.pt
* Ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações: gmoptc@moptc.gov.pt
* Governador Civil de Braga: geral@gov-civil-braga.pt
* Governador Civil de Viana do Castelo: gov-civil@gov-civil-viana.pt
* Grupos Parlamentares:
* António José Seguro (Deputado eleito por Braga): ajseguro@ps.parlamento.pt


PS: A dois dias da entrada em vigor dos novos horários, a CP Regional ainda não fez a divulgação pública destes horários, pelo que é expectável que na próxima segunda-feira pela manhã, as populações de Valença, Viana e Barcelos tenham motivos mais do que suficientes para exprimirem a sua revolta...

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Linha do Douro: que futuro?


Alberto Aroso, 2009/12/06


Em Setembro foi assinado um protocolo envolvendo a CCDRN, a Refer, a CP e o IPTM, o qual prevê a reabertura do troço Pocinho-Barca D"Alva ao tráfego ferroviário para fins turísticos. Trata-se de uma decisão muito importante para o desenvolvimento turístico do Alto Douro, na medida em que irá originar externalidades económicas positivas em toda a região e no país.

Dado que se trata de uma linha que ainda não foi alvo de uma modernização profunda, importa perceber se este investimento deve apenas incidir numa mera e simples reabilitação do troço em causa destinado apenas a realizar alguns comboios turísticos, ou se se deverá ir mais longe e transformar esta infra-estrutura num importante acesso ao interior da Península Ibérica e à Europa. Tendo ainda em conta que atravessa uma região turística de excelência, a mesma poderá vir a ser a porta de entrada no nosso país.

O troço entre Caíde e Barca D"Alva representa 77 por cento do total da extensão da linha, configurando, por isso, um cenário privilegiado para a introdução a médio prazo da bitola europeia, o que, aliado ao Porto de Leixões e a um porto fluvial no Pocinho a construir, representaria um importante eixo ferroviário, quer de passageiros, quer de mercadorias, para o Norte de Portugal, o qual poderia ainda estar ligado às Beiras via Vila Franca das Naves.

Atendendo à modernização já efectuada entre Porto e Caíde, a resolução de tal limitação poderá passar pela introdução de bitola europeia no troço já modernizado, mas com vocação de transporte suburbano de passageiros, ou então construir um eixo novo, igualmente em via única, mas cujas prestações permitam reduzir o tempo de acesso à região.

Tendo já sido discutida a reabertura da Linha do Tua e sua ligação à rede de Alta Velocidade (AV) espanhola em Puebla de Sanabria, se tal investimento também implicar a alteração para bitola europeia, toda a região passará a dispor de uma rede ferroviária com ligação directa à rede de AV ibérica, criando-se assim um facilitador económico, imprescindível para o desenvolvimento daquela que é a região mais pobre da Europa, nomeadamente no que ao turismo respeita, pelas oportunidades que poderia gerar, tais como serviços ferroviários directos para a Europa via região do Douro, Mirandela e Bragança, ou serviços Porto-Madrid, via Salamanca.

Importa ainda perceber a forma como deverá ser efectuada a exploração da linha, porquanto ser necessário separar a oferta de longo curso da regional, deixando esta última para uma pequena empresa a criar pelos municípios servidos pela infra-estrutura, a qual terá melhores condições para oferecer serviços mais baratos e ajustados às necessidades locais, libertando-se assim o longo curso para a sua vocação turística, convertendo-o num serviço internacional Porto-Salamanca.

Deve-se, por tudo isso, equacionar muito bem qual o investimento a realizar e a respectiva dimensão, dado ser uma infra-estrutura que se insere numa região à qual, recentemente, foi-lhe atribuída pela National Geographic um honroso sétimo lugar nos destinos turísticos sustentáveis a nível mundial. Mais ainda, no cenário acima proposto, pode bem vir a representar uma importante alternativa à AV entre Porto e Madrid via Lisboa, quer em tempo, quer nos custos da respectiva tarifa.

Defice CP já ultrapassa os 3 mil milhoes

in PÚBLICO, 2009/12/08


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